A situação da AIDS na terceira idade chamou a atenção de Jean Carlo Gorinchteyn, médico infectologista dos hospitais São Camilo e Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo. Gorinchteyn realizou um estudo de revisão de 121 prontuários médicos de pacientes diagnosticados com Aids, com idade igual ou superior a 60 anos atendidos no Emílio Ribas, de janeiro de 1989 a dezembro de 1998.
O estudo permitiu traçar o perfil da epidemia entre idosos (60 – 64 anos) nesse período. “Queríamos saber quem eram essas pessoas”, afirma o médico. “Acreditávamos que eram predominantemente homossexuais ou que haviam sido expostos a transfusões de sangue, mas descobrimos que 80% desses pacientes eram heterossexuais, com um percentual extremamente alto de casados”.
O Ministério da Saúde registrou, em 2003, 577 casos entre homens com 60 anos ou mais. Nos primeiros seis meses de 2004, mais 268 novas ocorrências. Entre as mulheres, 321 casos foram notificados em 2003; 165 só no primeiro semestre de 2004.
Por trás das estatísticas, o medo, o desconhecimento e o preconceito convivem com o enfrentamento, a confiança e a vontade de viver. Raros são os dados sobre os aspectos epidemiológicos desse grupo portador de HIV/AIDS, as informações são escassas e o debate na sociedade civil sobre o assunto é quase inexistente.
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