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Análise multicritério de apoio à decisão: um novo modelo para ajudar a tomada de decisões sobre saúde na América Latina

Os modelos tradicionais de tomada de decisão dão muita ênfase à relação custo-benefício, excluindo do processo fatores-chave que podem afetar o tratamento equitativo dos pacientes.

A análise multicritério de apoio à decisão (MCDA - Multiple criteria decision analysis) é uma abordagem holística que leva em consideração as preferências de pacientes, profissionais de saúde, pagadores, fabricantes e outras partes interessadas.

São Paulo, Brasil - 15 de setembro de 2017 - Especialistas internacionais no campo da farmacoeconomia discutiram a necessidade de implementar modelos novos e abrangentes de tomada de decisões na área de saúde para facilitar e melhorar a qualidade da formulação de políticas durante um workshop educacional para jornalistas latino-americanos organizado pela FIFARMA e patrocinado pela Roche América Latina.

 

Para melhorar a qualidade e o acesso a tratamentos essenciais, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Rede de Soluções de Desenvolvimento Sustentável recomendaram que todos os países se esforçassem para alcançar a cobertura universal de saúde (CUS), incluindo proteção de risco financeiro, acesso a serviços essenciais de saúde de qualidade, bem como acesso a medicamentos e vacinas essenciais, seguros, eficazes, de qualidade e acessíveis para todos.1 Os especialistas expressaram que, embora a maior acessibilidade seja uma tendência positiva, ela também gera maior pressão sobre sistemas de saúde com recursos limitados, como os da América Latina, pressionando os governos para que gerem mais recursos, aumentem sua alocação para a saúde, e administrem as despesas de forma mais eficiente.2

De acordo com as recomendações da OMS, a tomada de decisões no setor de saúde deve ser acompanhada pela definição de prioridades por parte das múltiplas partes interessadas. Através deste processo, são determinadas as orientações estratégicas do plano nacional de saúde, levando em consideração os valores e a visão da sociedade em relação ao sistema de saúde e, em última instância, refletindo o compromisso entre as partes interessadas, incluindo políticos, profissionais de saúde, representantes da comunidade e grupos de pacientes. O exercício de definição de prioridades é básico para abordar as necessidades mais importantes do setor de saúde e deve preceder as decisões sobre alocaçãp e planejamento.3

 

"A complexidade das decisões tomadas no setor de saúde é uma realidade; geralmente envolvem concessões entre as diversas alternativas consideradas. O processo de tomada de decisões costuma ser caracterizado por um baixo grau de transparência e, portanto, existe a necessidade de melhorar os métodos para avaliar diversas alternativas e prioridades", comentou Juan Carlos Trujillo de Hart, Médico, Diretor de Políticas e Operações Internacionais da FIFARMA. "Na América Latina, existem múltiplas barreiras para o acesso, que vão desde infraestruturas frágeis até a lentidão na adoção de medicamentos inovadores. Os governos são encorajados a procurar novas ferramentas para priorizar as opções de despesas como um meio para abordar algumas dessas questões urgentes na região."

Para abordar a tomada de decisões no setor de saúde de forma holística, surgiu um novo modelo chamado MCDA, que considera todas as prioridades, com ampla participação das partes interessadas – desde pacientes a entidades empresariais – e com maior transparência e responsabilidade.4,5,6,7 O modelo MCDA compreende um amplo conjunto de abordagens metodológicas que oferecem objetividade para determinar quais critérios são mais relevantes, a importância atribuída a cada um deles e a melhor forma de utilizar essa informação dentro de uma estrutura para avaliar as alternativas disponíveis.

 

De acordo com a FIFARMA, os modelos tradicionais de avaliação de saúde que abordam os custos e os benefícios do ponto de vista puramente econômico possuem um alcance limitado, pois muitas vezes falham em refletir todos os benefícios que uma possível intervenção pode oferecer e excluem fatores importantes, como inovação ou orientações clínicas.

"Se o desafio para os sistemas de saúde fosse apenas uma questão econômica, as soluções só considerariam os aspectos financieros, mas essa não é a realidade", comentou Esteban Lifschitz, Diretor, Especialista em Avaliação de Tecnologias de Saúde, Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires (UBA). "Existem muitos fatores e partes interessadas que devem ser levados em consideração no momento de decidir como devem ser alocados os recursos de saúde."

 

O modelo MCDA considera múltiplos objetivos de saúde a partir das perspectivas e prioridades de diferentes partes interessadas, incluindo necessidades médicas insatisfeitas, carga social da doença, carga dos familiares e profissionais de saúde, e rentabilidade. 4,7,8,9 Abordando a tomada de decisões com múltiplos objetivos, o modelo MCDA aumenta a consistência e a transparência, tornando mais fácil atribuir responsabilidades pelas decisões e ajudando todas as partes interessadas a entender a fundamentação de decisões específicas.

 

"O modelo MCDA é cada vez mais utilizado no setor de saúde, pois oferece uma abordagem dinâmica para a tomada de decisões. Na América Latina, precisamos instruir as partes interessadas e os tomadores de decisões sobre os benefícios deste modelo", comentou Denizar Vianna Araujo, PhD., Professor Associado do Departamento de Medicina Interna da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. "Ao tomar decisões informadas sobre como alocar recursos no setor de saúde efetivamente e levando em consideração as prioridades das diferentes partes interessadas, os governos poderão superar de forma mais eficiente muitas das barreiras que os pacientes devem enfrentar na região para ter acesso aos tratamentos."

O modelo MCDA foi aplicado com sucesso para facilitar diversas decisões no setor de saúde em muitos países de todo o mundo. Na América Latina, também está sendo considerado em mercados como Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador e República Dominicana.

 

Sobre a Roche

A Roche é uma empresa global, pioneira em produtos farmacêuticos e de diagnóstico, dedicada a desenvolver avanços da ciência que melhorem a vida das pessoas. Combinando as forças das divisões Farmacêutica e Diagnóstica, a Roche se tornou líder em medicina personalizada - estratégia que visa encontrar o tratamento certo para cada paciente, da melhor forma possível.

 

É considerada a maior empresa de biotecnologia do mundo, com medicamentos verdadeiramente diferenciados nas áreas de oncologia, imunologia, infectologia, oftalmologia e doenças do sistema nervoso central. É também líder mundial em diagnóstico in vitro e tecidual do câncer, além de ocupar posição de destaque no gerenciamento do diabetes. Fundada em 1896, a Roche busca constantemente meios mais eficazes para prevenir, diagnosticar e tratar doenças, contribuindo de modo sustentável para a sociedade. A empresa também visa melhorar o acesso dos pacientes às inovações médicas trabalhando em parceria com todos os públicos envolvidos. Vinte e oito medicamentos desenvolvidos pela Roche fazem parte da Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde, entre eles, antibióticos que podem salvar vidas, antimaláricos e terapias contra o câncer. Pelo oitavo ano consecutivo, a Roche foi reconhecida como a empresa mais sustentável do grupo Indústria Farmacêutica, Biotecnologia e Ciências da Vida pelos Índices Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI).

 

Com sede em Basileia, na Suíça, o Grupo Roche atua em mais de 100 países e, em 2016, empregou mais de 94.000 pessoas em todo o mundo. No mesmo ano, a Roche investiu 9,9 bilhões de francos suíços em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e suas vendas alcançaram 50,6 bilhões de francos suíços. A Genentech, nos Estados Unidos, é um membro integral do Grupo Roche. A Roche é acionista majoritária da Chugai Pharmaceutical, no Japão. Para mais informações, visite www.roche.com.br.

 

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Referências

 

  1. Plataforma de conhecimento sobre desenvolvimento sustentável Organização das Nações Unidas. Disponível em inglês em: https://sustainabledevelopment.un.org/sdg3. Último acesso em agosto de 2017
  2. WHO, The global push for universal health coverage, Disponível em: http://www.who.int/health_financing/GlobalPushforUHC_final_11Jul14-1.pdf. Último acesso em agosto de 2017
  3. WHO, “Strategizing national health in the 21st century: a handbook”, chapter 4 Disponível em: http://www.who.int/healthsystems/publications/nhpsp-handbook/en/. Último acesso em agosto de 2017
  4. Baltussen R, Jansen MPM, Bijlmakers L, et al. Value assessment frameworks for HTA agencies: the organization of evidence-informed deliberative processes. Value Health. 2017; 20:256-260.
  5. Federação Latino-americana da Indústria Farmacêutica. Utilization of multiple-criteria decision analysis (MCDA) to support Healthcare decision making. FIFARMA Website. Disponível em: http://fifarma.org/images/publicaciones/FIFARMA-MCDA-Position-Paper-April-2016.pdf. Último acesso em 19 de junho de 2017..
  6. Goetghebeur M, Castro-Jaramillo H, Baltussen R, Daniels N. The art of priority setting. Lancet. 2017; 389:2368-2369.
  7. Office of Health Economics. Applying a multi-criteria decision analysis (MCDA) approach to elicit stakeholders’ preferences in Italy. The case of obinutumumab for rituximab-refractory indolent non-hodgkin lymphoma (iNHL). OHE Website. Disponível em: https://www.ohe.org/publications/applying-multi-criteria-decision-analysis-mcda-approach-elicit-stakeholders%E2%80%99. Criado em dezembro de 2016. Último acesso em 4 de agosto de 2017.
  8. Thokala P, Devlin N, Marsh K, et al. Multiple criteria decision analysis for health care decision making—an introduction: report 1 of the ISPOR MCDA Emerging Good Practices Task Force. Value Health. 2016; 19:1-13.
  9. Youngkong S, Baltussen R, Tantivess S, Mohara A, Teerawattananon Y. Multicriteria decision analysis for including health interventions in the universal health coverage benefit package in Thailand. Value Health. 2012; 15:961-970.