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Estudo em 12 países da América Latina revela desigualdades no acesso ao atendimento do câncer

Pesquisa realizada pelo The Economist mostrou a fragmentação dos sistemas de saúde, como uma das maiores barreiras ao acesso.Os resultados foram debatidos no evento War on Cancer Latin America

 

O câncer é uma deficiência importante na América Latina: atualmente, a doença é a segunda causa de mortalidade, e estima-se que as mortes por esta causa aumentarão 106% até 2035. Apesar de alguns avanços, os esforços para controlar o câncer têm sido insatisfatórios. Um estudo realizado em 12 países da região, pelo The Economist Intelligence Unit (EIU) com subsídio da Roche Latino-América, revelou desigualdades no acesso ao atendimento do câncer 2. Os descobrimentos foram analisados durante um painel de discussão do War on Cancer Latin America (Guerra Contra o Câncer Latino-americana), um encontro no qual se reuniram líderes políticos, governos, acadêmicos e indústria para avaliar as possibilidades de como enfrentar a situação do câncer na América Latina.

 

Os membros do painel “A luta da América Latina contra o câncer e a desigualdade: identificação de modelos exitosos” analisaram as conclusões do estudo "Controle do Câncer, Acesso e Desigualdade na América Latina: Uma historia de luzes e sombras", que incluem: altas taxas de diagnóstico em estados avançados da doença, recursos insuficientes para necessidades atuais ou futuras para a atenção ao câncer, sistemas de saúde fragmentados e desigualdade no acesso ao atendimento da saúde entre as áreas urbanas e rurais, além de outros obstáculos encontrados na região.

A Tabela de Pontuação do Controle do Câncer na América Latina (LACCS, por sua sigla em inglês) é uma inovadora ferramenta criada pela EIU para comparar a Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai. Por outro lado, a equipe do The EIU realizou 20 entrevistas com os principais referentes do câncer na região.

As descobertas do estudo mostraram que os esforços para o controle do câncer variam significativamente ao longo da região e que existem aspectos para melhorar em todos os países, inclusive nos que obtiveram as melhores posições na tabela de pontuação. A principal barreira foi a fragmentação do sistema de saúde, o que leva a uma qualidade de atenção desigual.

“Como líder mundial em oncologia, a Roche considera que pode acrescentar valor e contribuir com políticas públicas para o controle do câncer que melhorem o acesso ao atendimento da saúde”, declarou Carlos Estrada, Gerente Geral da Roche Colômbia. “A Roche financiou o desenvolvimento desta pesquisa porque acredita que, para marcar realmente uma diferença, é preciso conhecer profundamente os desafios de cada sistema de saúde particularmente.”

O estudo mostrou que o gasto público médio em saúde na região é 4,6% do PIB, 62% menos que nos países de alta renda (a média em países desenvolvidos é 7,42%). 3

Do mesmo modo, o informe analisa como é feito o gasto do dinheiro, com base em decisões políticas. Os autores explicam que, apesar de que existam numerosas campanhas de educação, o grau de conscientização da população ainda é pobre, destacando a necessidade de mais campanhas educativas.

Contexto complexo

A América Latina oscila entre a incidência de tipos de câncer próprios de países desenvolvidos e de países de extrema pobreza. Este fato se deve, por um lado, pelo crescimento econômico que traz um aumento da esperança de vida, junto com o sedentarismo e maus hábitos alimentares (o que se traduz em mais casos de câncer de mama e de próstata em algumas regiões). Por outro lado, persiste uma alta incidência e mortalidade devido ao câncer do colo do útero, que pode ser prevenido com a vacina contra o HPV e pode ser detectado a tempo com métodos como o PAP.

Outro grande indicador da necessidade de agir no controle do câncer é a elevada mortalidade registrada na região quando comparada com outras partes do mundo. Em média, a proporção entre mortalidade e incidência mostra quantos pacientes morrem em relação a quantos casos novos de câncer a cada ano. Este número é 0,53 maior que o europeu (0,40) e que dos USA (0,33).

O painel reuniu: Rubén Torres, reitor, Universidade ISALUD (Argentina); Gilberto Lopes, professor associado de medicina, Sylvester Comprehensive Câncer Center, University of Miami (USA); Felicia Marie Knaul, diretora, University of Miami Institute for Advanced Study of the Americas (USA); e Irene Mia, diretora editorial global de Liderança de Reflexão no The Economist Intelligence Unit (UK).

 

Referências

1 “Cancer Control, Access and Inequality In Latin America: A tale of light and shadow”, The Economist Intelligence Unit, 2017
2 “Cancer Control, Access and Inequality In Latin America: A tale of light and shadow”, The Economist Intelligence Unit, 2017
3 “Cancer Control, Access and Inequality In Latin America: A tale of light and shadow”, The Economist Intelligence Unit, 2017