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Nova forma de tratar hemofilia A traz resultados positivos para pacientes com inibidores

Dados dos estudos clínicos HAVEN 1 e HAVEN 2, com a molécula emicizumabe, foram publicados no The New England Journal of Medicine, após apresentação no 26º Encontro de Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia (ISTH). Resultados preliminares apontam boas perspectivas no controle de sangramentos espontâneos

 

A Roche, líder mundial em biotecnologia, anuncia resultados positivos dos estudos de fase III HAVEN 1, realizado entre adultos e adolescentes, e HAVEN 2, com foco em pacientes pediátricos, para avaliar o tratamento profilático semanal com o medicamento emicizumabe para casos de hemofilia A em pessoasque apresentam inibidores ao fator VIII da coagulação sanguínea. Trata-se do primeiro medicamento, um anticorpo monoclonal de aplicação subcutânea, que age como substituto do fator VIII de coagulação - proteína necessária para ativar o processo natural da coagulação sanguínea e frear sangramentos. Os dados de ambos estudos acabam de ser publicados no renomado New England Journal of Medicine e apresentados 26ª Reunião Internacional de Trombose e Hemostasia (ISTH), que encerra nesta quinta (13/7) em Berlim, Alemanha.

 

As análises feitas no HAVEN 1 mostraram, em desfecho primário, redução estatística e clinicamente significativa em 87% menos taxa de sangramento nos pacientes tratados em profilaxia com emicizumabe, em comparação com o tratamento sob demanda com ‘agentes de by-pass’. Após 31 semanas de observação, 68,6% dos pacientes que receberam a droga não tiveram sangramentos espontâneos, em comparação com 11% dos que receberam ‘agentes de by-pass’ sob demanda. A redução da taxa de sangramento foi consistente em todos os parâmetros secundários, incluindo menos hemorragias espontâneas e não espontâneas nas articulações – a taxas de 94,3% e 85,7%, respectivamente. Os resultados também comprovam melhor qualidade de vida, incluindo a saúde física. Em investigações adicionais, com pacientes que receberam previamente profilaxia com agentes de “by-pass”, houve redução de 79% de sangramentos ao serem tratados com emicizumabe. Os dados também mostram que 70,8% dos pacientes deste estudo não tiveram episódios de sangramento, contra 12,5% do tratamento comparador do estudo.

 

“O tratamento da hemofilia A, principalmente quando há inibidores do fator VIII, é desafiador em todas as fases da vida, especialmente para crianças e seus cuidadores, uma vez que é difícil controlar o sangramento. O tratamento com emicizumabe demonstrou-se seguro e e eficaz, com aplicação subcutânea, trazendo mais qualidade de vida aos pacientes. Atualmente os tratamentos são infusões intravenosas frequentes”, explica Cintia Scala, gerente médica da área de hemofilia da Roche Farma Brasil. “A profilaxia subcutânea com emicizumabe, administrado semanalmente, demonstrou uma importante redução no número de sangramentos. Esses resultados mostram o nosso compromisso em levar soluções inovadoras aos pacientes e suas famílias”, completa.

 

Já os resultados do estudo HAVEN 2 são condizentes com os desfechos positivos do seu antecessor. Após de 12 semanas de acompanhamento, o estudo revelou que apenas 1 a cada 19 pacientes relatou episódios de sangramento e que não houve hemorragias articulares ou musculares. Outra comparação intra-paciente mostrou que todos tiveram redução de 100% nos sangramentos durante o tratamento com emicizumabe, incluindo os que usaram agentes “by-pass” profiláticos ou sob demanda previamente.

 

Com foco em inovação e em mudar o tratamento da hemofilia, a Roche também destacou, durante o congresso, outros dois estudos de fase III em andamento com emicizumabe:

 

  • HAVEN 3, avalia a profilaxia com emicizumabe administrado uma vez por semana ou uma vez a cada 15 dias em pessoas com 12 anos de idade ou mais com hemofilia A sem inibidores do Fator VIII;
  • HAVEN 4, analisa a profilaxia com emicizumabe administrado a cada quatro semanas em pessoas com 12 anos de idade ou mais com hemofilia A com ou sem inibidores do Fator VIII.

 

Sobre a hemofilia A

A hemofilia A é um transtorno grave, na maioria das vezes, hereditário, no qual o sangue não coagula adequadamente, o que leva a sangramentos de difícil controle e, frequentemente, espontâneo. A hemofilia A afeta cerca de 320 mil pessoas em todo o mundo, das quais aproximadamente 50% a 60% têm uma forma grave da doença. Pessoas que sofrem de hemofilia A têm falta total ou quantidade insuficiente de uma proteína da coagulação chamada Fator VIII. Na pessoa saudável, quando ocorre um sangramento, o Fator VIII liga os fatores de coagulação IXa e X, uma etapa crítica para a formação do coágulo sanguíneo que ajuda a interromper o sangramento. Uma complicação grave do tratamento é o desenvolvimento de inibidores contra o Fator VIII usado na terapia de reposição. Os inibidores são anticorpos que o sistema imunológico do organismo desenvolve e que se ligam ao Fator VIII reposto, bloqueando sua eficácia e dificultando ou mesmo impossibilitando a obtenção de um nível de Fator VIII suficiente para controlar o sangramento.

 

Sobre o HAVEN 1

O HAVEN 1 é um estudo de fase III, multicêntrico, aberto e randomizado que avalia a eficácia, a segurança e a farmacocinética da profilaxia com emicizumabe versus tratamento sob demanda com agentes “bypass” em pessoas com hemofilia A e inibidores contra o Fator VIII. O estudo incluiu 109 pacientes de 12 anos de idade ou mais, que haviam sido previamente tratados com agentes de “bypass” de modo profilático ou nos episódios de sangramento (tratamento sob demanda). Os pacientes previamente tratados com agentes “bypass” sob demanda foram randomizados na proporção de 2:1 para receberem profilaxia com emicizumabe (grupo A) ou terapia com agentes “bypass” sob demanda (grupo B). Os pacientes previamente tratados profilaticamente com agentes “bypass” receberam profilaxia com emicizumabe (grupo C). O protocolo permitia o uso de agentes “bypass” para tratamento de novos episódios de sangramento. O desfecho primário do estudo foi o número de episódios de sangramento ao longo do tempo, comparando-se a profilaxia com emicizumabe (grupo A) a terapia com agentes “bypass” sob demanda (grupo B). Os parâmetros secundários incluíram a frequência de todos os sangramentos, a frequência de sangramentos articulares, de sangramentos espontâneos, de sangramentos em articulações alvo, a qualidade de vida relativa à saúde (HRQoL) / o estado de saúde, a comparação intrapaciente na frequência de sangramento durante o esquema profilático prévio com agentes “bypass” (grupo C) e a segurança.

 

Sobre o HAVEN 2

O HAVEN 2 é um estudo de fase III, multicêntrico e aberto que visa avaliar a eficácia, a segurança e a farmacocinética da administração subcutânea de emicizumabe uma vez por semana. A análise interina, após uma mediana de 12 semanas de tratamento, incluiu 19 crianças com menos de 12 anos de idade com hemofilia A e inibidores  contra o Fator VIII de coagulação, que necessitam de tratamento com agentes de “bypass”. Os objetivos do estudo  foram avaliar: o número de episódios de sangramento ao longo do tempo com profilaxia com emicizumabe, a segurança, a farmacocinética, a qualidade de vida relacionada à saúde (HRQoL) e a HRQoL avaliada por um representante do paciente, com  cargo de cuidador. O estudo incluirá, no total, pelo menos 60 crianças para sua análise final planejada após 52 semanas de tratamento com emicizumabe.

 

Sobre emicizumabe

O emicizumabe está sendo avaliado em estudos pivotais de fase III em pessoas de 12 anos de idade ou mais, com e sem inibidores contra o Fator VIII, e em crianças abaixo dos 12 anos de idade com inibidores contra o Fator VIII. Os futuros estudos avaliarão esquemas posológicos de menor frequência. O programa de desenvolvimento do emicizumabe avalia o potencial do medicamento para vencer os atuais desafios clínicos, como a alta frequência das infusões, via de administração e o desenvolvimento de inibidores contra o Fator VIII. O emicizumabe foi criado pela Chugai Pharmaceutical Co. e está sendo co-desenvolvido por Chugai, Roche e Genentech – empresas do Grupo Roche.

Sobre a Roche

A Roche é uma empresa global, pioneira em produtos farmacêuticos e de diagnóstico, dedicada a desenvolver avanços da ciência que melhorem a vida das pessoas. Combinando as forças das divisões Farmacêutica e Diagnóstica, a Roche se tornou líder em medicina personalizada - estratégia que visa encontrar o tratamento certo para cada paciente, da melhor forma possível.

 

É considerada a maior empresa de biotecnologia do mundo, com medicamentos verdadeiramente diferenciados nas áreas de oncologia, imunologia, infectologia, oftalmologia e doenças do sistema nervoso central. É também líder mundial em diagnóstico in vitro e tecidual do câncer, além de ocupar posição de destaque no gerenciamento do diabetes. Fundada em 1896, a Roche busca constantemente meios mais eficazes para prevenir, diagnosticar e tratar doenças, contribuindo de modo sustentável para a sociedade. A empresa também visa melhorar o acesso dos pacientes às inovações médicas trabalhando em parceria com todos os públicos envolvidos. Vinte e oito medicamentos desenvolvidos pela Roche fazem parte da Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde, entre eles, antibióticos que podem salvar vidas, antimaláricos e terapias contra o câncer. Pelo oitavo ano consecutivo, a Roche foi reconhecida como a empresa mais sustentável do grupo Indústria Farmacêutica, Biotecnologia e Ciências da Vida pelos Índices Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI).

 

Com sede em Basileia, na Suíça, o Grupo Roche atua em mais de 100 países e, em 2016, empregou mais de 94.000 pessoas em todo o mundo. No mesmo ano, a Roche investiu 9,9 bilhões de francos suíços em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e suas vendas alcançaram 50,6 bilhões de francos suíços. A Genentech, nos Estados Unidos, é um membro integral do Grupo Roche. A Roche é acionista majoritária da Chugai Pharmaceutical, no Japão. Para mais informações, visite www.roche.com.br.

 

Referências

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http://www1.wfh.org/publications/files/pdf-1472.pdf

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3 Marder VJ, et al. Hemostasis and Thrombosis. Basic Principles and Clinical Practice. 6th Edition, 2013. Milwakee, Wisconsin. Lippincott Williams and Wilkin.

4 Franchini M, Mannucci PM. Hemophilia A in the third millennium. Blood Rev 2013:179-84.

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9 Whelan, SF, et al. Distinct characteristics of antibody responses against factor VIII in healthy individuals and in different cohorts of hemophilia A patients. Blood 2013; 121: 1039-48

10 Berntorp E. Differential response to bypassing agents complicates treatment in patients with haemophilia and inhibitors. Haemophilia 2009; 15:3-10.