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Contagem de Plaquetas: conceitos e inovações

 

Durante muitos anos o método manual desenvolvido por Brecher e Cronkite (1953) foi considerado como padrão de contagem de plaquetas. Com a evolução tecnológica que ocorreu nos últimos 30 anos, a contagem manual de plaquetas foi substituída pela contagem automatizada em amostras de sangue colhidas com o anticoagulante EDTA. Nos dias atuais, a técnica manual é usada em laboratórios pequenos sem recursos tecnológicos ou em casos extraordinários de confirmação da contagem automatizada. Na técnica manual o sangue colhido com o anticoagulante EDTA é diluído em uma solução de oxalato de amônia para lise dos eritrócitos, favorecendo a contagem de plaquetas pela microscopia com contraste de fase [8]. Trata-se de uma técnica demorada, subjetiva e com elevados níveis de imprecisão, determinados pelo coeficiente de variação (CV: 10 - 25%) entre observadores [19]. Com a introdução das automações para contagem de células do sangue usando o método de impedância elétrica, tornou-se possível quantificar as plaquetas de forma mais precisa (CVs < 3.0%) devido ao grande  número de células que são avaliados pelos canais de contagem dos analisadores hematológicos de rotina [20]. A aplicação da impedância elétrica permite diferenciar as células sanguíneas através dos seus respectivos volumes. Tal  tecnologia vem sendo usada pelos analisadores hematológicos para discriminar as plaquetas dos eritrócitos [8]. Entretanto, o método de impedância elétrica para contagem de plaquetas possui significativas limitações, como: a interferência da contagem pela presença de partículas com volumes semelhantes às plaquetas. Assim, fragmentos de eritrócitos, micrócitos e complexos imunológicos podem exceder o número real de plaquetas em casos de trombocitopenia [21]. Ao contrário, algumas macroplaquetas e plaquetas gigantes são discriminadas como eritrócitos devido ao aumento do volume [8].

Atualmente, alguns analisadores hematológicos possuem um método adicional para contagem de plaquetas. Trata-se do método óptico com uso do laser para discriminar as plaquetas dos eritrócitos, fragmentos de células, macroplaquetas, plaquetas imaturas (PRs), complexos imunológicos e restos celulares, através da dispersão da luz (scatter) e  fluorescência ou somente scatter. A aplicação do método óptico permite a avaliação do volume e conteúdo das células, melhorando a exatidão da contagem de plaquetas [8]. Ademais, este método pode ser denominado como Citometria de Fluxo (CF) com ou sem fluorocromo (marcador fluorescente de RNA/DNA). Já a CF com o uso de anticorpos monoclonais (MoAb) anti-proteínas específicas (CD41 ou CD61) expressas na superfície da membrana citoplasmática das plaquetas, também é uma outra técnica aplicada para a determinação do número e avaliação das características específicas das células trombocíticas. Após a marcação com MoAb, as células suspendidas são analisadas no Citômetro de Fluxo (automação) através de um canal que permite o fluxo de 1000 a 10000 células por minuto, sob emissão de um laser [22]. Apesar da significativa acurácia para avaliação das plaquetas, trata-se de uma técnica de alto custo que requer profissionais habilitados para o preparo pré-analítico e análise dos resultados [23]. Recentemente, a técnica da CF com uso de MoAb anti-proteínas de plaquetas foi introduzida em alguns analisadores hematológicos de rotina. Com uso de sangue colhido com anticoagulante EDTA, estes analisadores realizam a contagem de plaquetas através do uso de um marcador celular (anti - CD61) [8]. Entretanto, quando da aplicação da CF com MoAb para a avaliação de plaquetas, vários estudos  padronizaram o uso de plasma rico em  plaquetas (PRP) obtido de amostras de sangue colhidas com Citrato de Sódio 3,2%. Tal procedimento garantiu uma melhor qualidade na preparação das células, proporcionando uma análise mais segura dos eventos relacionados às plaquetas [11, 24, 25].


Contagem de Plaquetas pelos Analisadores SYSMEX - Sempre proporcionando soluções para a melhoria da rotina de laboratórios clínicos e bancos de sangue, os analisadores hematológicos da marca Sysmex (Kobe, Japão) apresentam parâmetros adicionais ao hemograma, decorrentes dos métodos aplicados. Para contagem de plaquetas, todos analisadores hematológicos Sysmex (Ex: XS-800, XS-1000, XT e XE) aplicam o método da impedância elétrica (corrente direta, DC), através do qual as células são classificadas pelo volume. Assim, os analisadores realizam a contagem total de plaquetas (PLT) e os respectivos cálculos do volume plaquetário médio (VPM), distribuição da população de plaquetas (PDW) e da porcentagem de macroplaquetas (platelet large cell ratio (PLCR (%)). O valor de P-LCR% é determinado pela freqüência de eventos localizados no histograma de PLT, em uma área correspondente à células com volume maior que 12fL (Figura 1). Além da corrente direta, os analisadores XE-2100 e XE-5000 apresentam um segundo método para análise de plaquetas, denominado plaqueta óptica (PLT-O). Para determinação dos valores de PLT-O, os analisadores citados aplicam a técnica da citometria de fluxo (CF) com o uso de fluorocromo (polimetina). Com isso, em caso de dúvida ou interferência na contagem de PLT por corrente direta, torna-se possível realizar uma segunda análise com melhor acurácia através da PLT-O [8]. Como inovação, os analisadores XE-2100 e XE-5000 apresentam ainda um novo parâmetro denominado Fração de plaquetas imaturas (IPF). O IPF representa as plaquetas jovens, também conhecidas como plaquetas reticuladas (PRs) (Figura 2). Para a quantificação das plaquetas imaturas, o analisador necessita de um software específico, onde são editadas as informações geradas pela CF com uso da polimetina (marcador de RNA).

Figura 1: Histograma de distribuição das plaquetas para a determinação do parâmetro P-LCR pelos analisadores hematológicos Sysmex. P-LCR (%): porcentagem de macroplaquetas; PDW: distribuição do volume da população de plaquetas; LD: região de baixa distribuição; UD: região de alta distribuição.

 

Figura 2: Citograma da contagem óptica de plaquetas (PLT-O) pelo analisador hematológico Sysmex XE 2100. IPF: Fração de plaquetas imaturas; PLTs maduras: plaquetas maduras.

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esultado do programa global da Roche em monitorar bancos de dados de genomas virais, com a finalidade de rastrear possíveis alterações que podem ocorrer em sequências virais, esta nova versão do teste foi reformulada para incluir o maior número possível de sequências virais recentes, aumentando a inclusão de novos alvos e a segurança dos resultados obtidos.

 

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