Implantes oftálmicos: História de um produto revolucionário

Em 29 de novembro de 1949, o Dr. Harold Ridley implantou a primeira lente artificial no olho de um paciente. Três meses mais tarde, ele faria o primeiro implante permanente e daria a partida para a trajetória da oftalmologia que trilhamos atualmente.

 

A inspiração para esse procedimento surgiu durante a Segunda Guerra Mundial, quando ele verificou que lascas da capota de acrílico da cabine de pilotagem dos aviões retiradas dos olhos de aviadores feridos não haviam sido rejeitadas pelo sistema imunológico. Seus colegas, acreditando ser impossível substituir o cristalino, rejeitaram sua hipótese e seus primeiros sucessos. Mas a inovação do Dr. Ridley logo iria silenciar todos os seus detratores.

implantes oftámicos
O Dr. Harold Ridley e uma das suas lentes, removida de um paciente em 1987. Cortesia do Museu da Visão e da American Academy of Ophthalmology. Todos os direitos reservados.

Nas décadas seguintes, médicos de todo o mundo continuaram evoluindo nos tratamentos com implantes para prestar a melhor assistência aos pacientes. Hoje, este campo abrange uma vasta gama de soluções, desde um sistema de drenagem de glaucoma para regular a pressão intraocular inventado pelo Professor Anthony Molteno em 1966, até à revolucionária queratoprótese do Dr. Claes Dohlman, para pacientes que não possam receber um transplante de córnea convencional.

 

Ao contrário da época em que o Dr. Ridley enfrentou oposição ao seu tratamento pioneiro, os dispositivos implantados de hoje são adotados de bom grado pelos oftalmologistas e pelos pacientes que necessitam de uma visão melhor. A partir do impulso dado pelas lentes do Dr. Ridley, mais de 250 milhões de pessoas já tiveram a visão restaurada pela cirurgia de catarata.

 

Uma visão do futuro

 

Os dispositivos implantáveis se dividem em três categorias: os que liberam produtos terapêuticos mais eficazmente, os que podem melhorar técnicas cirúrgicas tornando-as mais eficazes e os que se destinam a melhorar ou restaurar a visão.

 

Ao buscarmos avançar para o futuro da medicina oftalmológica, precisamos nos lembrar de que os tratamentos bem-sucedidos são os que maximizam a restauração e/ou a retenção da visão, e minimizam a carga do tratamento para o paciente. Por exemplo, os especialistas em glaucoma estão buscando dispositivos que possam minimizar o impacto para os pacientes e melhorar sua adesão, de modo a preservar a visão. Também precisamos continuar visando avanços na tecnologia para encontrar novos e instigantes meios de administrar tratamento.

 

Pesquisadores desenvolveram microchips implantáveis para pacientes com retinite pigmentosa, que trabalham com dispositivos externos que podem, de fato, restaurar parte da visão. Embora os pacientes tratados não recuperem totalmente a visão, podemos imaginar a alegria que eles sentem ao poder enxergar novamente o rosto das pessoas que amam.

 

Acreditamos que esse tipo de liberação prolongada pode ser o próximo grande passo no tratamento de doenças oculares crônicas — glaucoma, DMRI, EMD ou mesmo secura ocular. Nossos pacientes com DMRI e EMD têm opções terapêuticas que podem melhorar a sua visão ou, pelo menos, diminuir o ritmo de progressão da doença. Mas para se beneficiarem dos tratamentos disponíveis, os pacientes precisam ser atendidos e tratados seguindo um cronograma consistente, o que pode nem sempre é fácil.  

 

Pesquisadores da Genentech, empresa parte do Grupo Roche, e de outras empresas estão trabalhando para encontrar um meio para reduzir a carga do tratamento. Um desses meios pode ser o uso de dispositivos implantáveis para liberação prolongada, que podem ser colocados cirurgicamente no olho. Esses tipos de dispositivos já estão sendo desenvolvidos para glaucoma e secura ocular, e trata-se apenas uma questão de tempo para eles poderem ser usados em transtornos da retina. Dispositivos para liberação prolongada podem tirar da equação o elemento acaso, e permitir aos médicos monitorar remotamente a adesão. Da perspectiva do paciente, os dispositivos eliminam as dúvidas sobre terem ou não usados seus colírios corretamente.

 

Poderá chegar o dia em que saberemos programar os dispositivos para liberar medicamentos com um cronograma específico, baseado em informações diagnósticas extraídas do próprio dispositivo, como já ocorre com os marca-passos. Pode ser impossível hoje, mas era assim que pensavam os colegas, há 65 anos, a respeito das ideias do Dr. Ridley.

 

Para mais informações sobre história oftalmológica, acesse museumofvision.org.