Texto por: Raquel Prazeres
 

Revisão e supervisão médica: Dr. Breno Álvares de Faria Pereira | CRM–GO: 6128
Reumatologista e pediatra; ex-fellow researcher de Reumatologia do Children’s Hospital of Philadelphia (EUA); mestre pelo IPTSP-UFG; professor assistente da Faculdade de Medicina da UFG

 

O novo coronavírus é hoje a maior ameaça à saúde de todas as pessoas ao redor do mundo. A doença identificada, primeiramente, na província chinesa de Wuhan em dezembro de 2019 trouxe à tona uma série de discussões sobre detalhes que envolviam formas de contágio, letalidade e fatores de risco. Desse modo, foi possível perceber que pacientes com condições crônicas preexistentes apresentaram quadros clínicos mais graves da doença, muitas vezes evoluindo rapidamente para complicações, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS)1.

É clara a relação entre as doenças crônicas pulmonares e respiratórias e a Covid-19. Há outras comorbidades, no entanto, que também devem ser levadas em consideração nesse contexto. É o caso das doenças reumatológicas, que afetam pessoas de todas as faixas etárias no Brasil e no mundo2. Sabendo que esses pacientes fazem uso de medicamentos imunomoduladores e imunossupressores que interferem na resposta imunológica a infecções, é necessário estar atento às particularidades desse grupo3.

Há mais de uma centena de doenças reumatológicas. Entre as mais comuns, está a artrite reumatoide (AR)4, que tem como principal fator de risco o histórico familiar5.

Por atingir muitas pessoas, é importante entender como se dá a relação entre a AR e o novo vírus e como isso pode impactar quem tem essas doenças3,6,7. Confira:

 

  • Pacientes com diagnósticos de doenças reumatológicas inflamatórias crônicas, como é o caso da artrite reumatoide, podem apresentar, potencialmente, predisposição para formas mais graves da infecção pela Covid-19. Isso acontece porque as medicações imunossupressoras e/ou imunobiológicas, usadas no tratamento dessas doenças, inibem o nosso sistema imunológico de defesa. Porém, até o presente momento, por razões ainda desconhecidas, esses pacientes não foram relatados como parte do grupo de risco por órgãos de saúde brasileiros e mundiais;
  • Em caso de confirmação da infecção pelo novo coronavírus, a recomendação dada pela Sociedade Brasileira de Reumatologia é de suspender o uso de medicamentos após reportar-se imediatamente ao reumatologista, médico que fará as adequações de sua receita. Os corticóides, segundo a entidade, merecem uma atenção especial e devem ser retirados gradativamente, e sempre sob supervisão médica;
  • Ainda não há evidências robustas de que a infecção por coronavírus pode piorar o quadro da doença reumatológica inflamatória crônica envolvida, pois a Covid-19 é uma doença viral de curto período de duração e de curso majoritariamente assintomático e benigno. Porém, em caso de sintomas, é de suma importância a avaliação do médico especialista (reumatologista);

 

Além disso, é importante que o paciente mantenha o tratamento não medicamentoso em andamento, mesmo com as novas circunstâncias da pandemia. Para algumas práticas, inclusive, não é preciso sair de casa ou se expor aos riscos da Covid-19, como os exercícios, o apoio psicossocial e a fisioterapia5

Manter atividades físicas, por exemplo, é uma ferramenta coadjuvante segura e eficaz no tratamento da artrite reumatoide, já que aumenta a força muscular e pode melhorar a qualidade de vida, a capacidade funcional e até ajudar a aliviar a dor de quem tem a doença. Para os pacientes os quais já era recomendado o tratamento fisioterapêutico, ele também deve ser continuado. Além disso, é muito importante que o paciente com doença reumatológica crônica tenha apoio de seu médico e de seus familiares, principalmente em um momento de pandemia global, em que o medo se torna protagonista, possibilitando o surgimento de transtornos mentais como a ansiedade e a depressão5,8.

 

Referências:

  1. Saúde Brasil. Por que a obesidade é um fator de risco para pessoas com Coronavírus? [Internet]. Acessado em: 27 mai 2020. Disponível em: https://saudebrasil.saude.gov.br/ter-peso-saudavel/por-que-a-obesidade-e-um-fator-de-risco-para-pessoas-com-coronavirus
  2. Ministério da Saúde. Doenças reumáticas. Brasília: Ministério da Saúde; 2013.
  3. Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). Informativo Covid-19: Comissão de Doenças Infecciosas – SBR [Internet]. Acessado em: 27 mai 2020. Disponível em: https://www.reumatologia.org.br/site/wp-content/uploads/2020/03/Informativo-COVID-19-SBR.pdf
  4. Ministério da Saúde. 30/10 – Dia Nacional de Luta contra o Reumatismo [Internet]. Acessado em: mai 2020. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/ultimas-noticias/2839-30-10-dia-nacional-de-luta-contra-o-reumatismo-2
  5. Ministério da Saúde. Protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas: artrite reumatoide [Internet]. Acessado em: 27 mai 2020. Disponível em: https://saude.gov.br/images/pdf/2014/dezembro/15/Artrite-Reumatoide.pdf
  6. Sociedade Brasileira de Reumatologia. COVID-19: SBR esclarece dúvidas de pacientes de doenças reumáticas [Internet]. Acessado em: 27 mai 2020. Disponível em: https://youtu.be/t4WOw4t2jsU
  7. Sociedade Brasileira de Reumatologia. COVID-19: SBR Dicas – Exercícios [Internet]. Acessado em: 27 mai 2020. Disponível em: https://www.reumatologia.org.br/noticias/covid-19-sbr-dicas-exercicios/