A força da mulher na Pesquisa Clínica 

20 de maio - Dia internacional da Pesquisa Clínica. Profissionais representam 43,7% dos atuantes com o tema no Brasil

 

A pesquisa clínica diz respeito ao estudo de novos exames e tratamentos para avaliar seus efeitos na saúde dos pacientes. Além de, é claro, identificar qualquer tipo de reação adversa que possa acontecer , garantindo assim a segurança e eficácia do medicamento. É importante ressaltar que para uma substância ser testada em uma pessoa, ela precisa ter sido aprovada anteriormente em testes pré-clínicos. Isto significa que já foram verificados os efeitos benéficos ou prejudiciais dessa substância em seres vivos e os aspectos de segurança para aplicação em seres humanos. Trata-se   de um processo extremamente rigoroso, no Brasil, mais de 90% das substâncias em teste não passam dessa fase, chamado de testes pré-clínicos.

 

Para o bom andamento da pesquisa  são necessários pacientes voluntários que serão submetidos aos estudos clínicos. Em suma, a pesquisa clínica é a fase de realização de testes onde se descobre qual é a ação de determinado medicamento no organismo humano. 

 

Os estudos clínicos realizados pela Roche seguem as diretrizes internacionais e legislação local garantindo sua condução de forma ética.  No Brasil, o esforço da área de Pesquisa e Desenvolvimento da companhia, formada por 33 mulheres e 8 homens, se traduz na condução de estudos clínicos em parceria com centros locais independentes. Além de gerar acesso às inovações, ter nossos estudos no país - abrangendo a  população local, o tema estimula o desenvolvimento de cientistas e da pesquisa clínica local, pois aporta conhecimento científico e traz oportunidades de intercâmbio internacional entre pesquisadores, além do compartilhamento das práticas globais. Essa expertise contribui para que sejamos no Brasil cada vez mais considerados para condução de novos estudos e, consequentemente, para a conquista  de maior  representatividade do perfil brasileiro. 

 

Somente em 2020, o investimento foi de R$ 292 milhões nesta área, um aumento de 14% em relação a 2019. Globalmente, investimos cerca de 20% em P&D para desenvolver a ciência em prol dos pacientes.

 

Quando falamos sobre os ensaios clínicos, um fator muito relevante é a falta de mulheres no meio. De acordo com o relatório da UNESCO, elas representam apenas 28% dos pesquisadores ao redor do mundo. Já no Brasil este número é mais significativo, de acordo com o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), as mulheres constituem 43,7% das pesquisadoras. Segundo a Unesco, 5% a 10% das mulheres no mundo ocupam funções de responsabilidade no campo das ciências. 

 

Para conscientizar a sociedade sobre a importância da participação feminina no campo da ciência, a ONU criou, em 2015, o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado oficialmente no dia 11 de fevereiro. Trata-se de um alerta à comunidade internacional de que a ciência e a igualdade de gênero devem avançar lado a lado, com a finalidade de enfrentar os principais desafios mundiais e alcançar todos os objetivos e metas da Agenda 2030.

 

A pandemia evidenciou ainda mais a necessidade das mulheres no campo da pesquisa.  principais centros de estudo de vacinas no Brasil, têm à frente cientistas mulheres. Pensando na relevância da discussão no campo científico, onde as mulheres têm uma participação importante, mas ainda são minorias em cargos de liderança, elaboramos uma lista de mulheres inspiradoras que revolucionaram a ciência:

 

  • Marie Curie
  • Hedy Lamarr
  • Rita Levi-Montalcini
  • Barbara McClintock
  • Duília de Mello
  • Suzana Herculano-Houzel

 

Para ressaltar ainda mais a importância das mulheres nesse contexto, convidamos Waleuska Spiess, Head de Operações Clínicas da Roche Farma do Brasil, a falar um pouco  sobre a área que comanda e sua carreira na ciência. Ela lidera, direciona estrategicamente e assegura a correta condução de estudos clínicos desde a fase 1b até a fase 4, de acordo com os padrões internacionais de qualidade ICH/GCP e GPP, SOPs e requerimentos locais.  



Bate-papo com Waleuska

 

Na sua opinião, qual a importância da Pesquisa Clínica no contexto farmacêutico?
A Pesquisa Clínica é de extrema relevância, pois por meio dos estudos clínicos conseguimos coletar dados científicos que demonstram a segurança e a eficácia de novos tratamentos. Ela permite que o país e os profissionais envolvidos nos estudos clínicos façam parte da inovação e contribuam para o progresso da medicina. Para a comunidade científica existe a oportunidade de acessar metodologias científicas mundialmente reconhecidas, que, no futuro, poderão favorecer o desenvolvimento de estudos locais, como os estudos de Mundo Real.

 

Alguma mulher te inspirou a seguir a carreira científica?
Desde a época da Faculdade de Farmácia até a entrada no mercado Farmacêutico, sempre estive rodeada de importantes mulheres que exerciam com excelência, tanto o ensino acadêmico como também se destacavam nas pesquisas, desenvolvendo e promovendo novas tendências. Ao entrar para a Pesquisa Clínica na Indústria Farmacêutica, também fui acompanhada por excelentes profissionais, mentoras que me inspiravam a seguir em frente, sempre com ética e respeito pelos participantes de Pesquisa Clínica.

 

O que te motivou a seguir carreira com foco em pesquisa clínica?

Quando estava no terceiro ano da Faculdade de Farmácia entrei na Iniciação Científica e me identifiquei muito com a busca pela comprovação de uma hipótese. O meu segundo estágio foi na Farmácia Hospitalar e buscávamos a qualidade na Assistência Farmacêutica, foi nesse momento que me identifiquei com o acolhimento ao paciente, focado nas orientações do uso correto de um medicamento. Essas duas ocasiões contribuíram para a minha decisão em trabalhar com Pesquisa Clínica. Estar próxima do desenvolvimento de novos tratamentos terapêuticos, muitas vezes inexistentes, exercendo as atividades com qualidade e sempre com o olhar atento à segurança dos participantes de Pesquisa Clínica foram fatores motivadores para que eu seguisse na área.

 

Qual conselho você daria para meninas que estão no início da carreira e buscam compor o ambiente científico?

 

 


Referências:

 

https://www.gov.br/cnpq/pt-br/assuntos/noticias/destaque-em-cti/dia-internacional-de-mulheres-e-meninas-na-ciencia#:~:text=Segundo%20dados%20da%20UNESCO%2C%20estima,%2C%20somente%2035%25%20s%C3%A3o%20mulheres.

 

https://revistapesquisa.fapesp.br/mulheres-na-ciencia-2/#:~:text=No%20Brasil%2C%20de%20acordo%20com,at%C3%A9%20o%20final%20da%20d%C3%A9cada.