Desde a suspeita até a definição do tratamento, espera-se que a jornada da paciente seja individualizada, considerando as características e particularidades de cada pessoa.

 

Até pouco tempo atrás, o principal fator considerado ao se caracterizar um tumor era a sua localização primária no corpo do paciente, como pulmão, mama e ovário, por exemplo, envolvendo análises por meio de exames clínicos, de imagem e avaliação anatomopatológica (avaliação das células ou tecido do tumor). 

 

Além da investigação do sítio primário do tumor, é realizado também no seu estadiamento (classificação em estágios). Para isso, são considerados o volume e a extensão da doença, ou seja, tamanho do tumor, presença ou ausência de células tumorais nos linfonodos, e presença ou ausência de células tumorais em outros órgãos do corpo. As informações do exame anatomopatológico, junto ao estadiamento, formam uma base para a definição de um bom planejamento terapêutico.

 

Sabe-se que o câncer de mama é a doença maligna mais comum entre as mulheres no mundo todo. Sua causa é multifatorial e alguns fatores de risco conhecidos são: idade, etnia, história reprodutiva, uso de anticoncepcionais orais, exposição à radiação, ingestão de álcool e genética. Eles desempenham um papel importante na patogênese e na determinação da causa da doença, sugerindo que cada paciente apresentará diferentes gatilhos para o desenvolvimento do tumor.¹

 

Hoje essa perspectiva de avaliação e classificação tumoral está mais aprimorada, o que tem permitido aos especialistas conhecerem melhor sobre o tumor de cada paciente, bem como ampliar as possibilidades de arsenal terapêutico. As avaliações do comportamento biológico do tumor a partir das análises de seus genes podem ser usadas para obter informações prognósticas e / ou preditivas adicionais e ajudar na tomada de decisão. 

 

“O perfil genômico distribuição é um pilar muito forte quando pensamos em medicina personalizada e, para um paciente com câncer de mama, a avaliação de biomarcadores é, de fato, fundamental para um tratamento assertivo. Mas esse é apenas o começo! A análise de evidências do mundo real (RWE), o uso de dispositivos móveis para registro de informações, como plataforma de suporte à decisão clínica e os desenhos inovadores de estudos clínicos são algumas das ferramentas que compõem o que a Roche enxerga como medicina personalizada, e que vão ajudar o médico a tomar a melhor decisão e transformar o futuro do cuidado pacientes ”, acrescenta Julia Campopiano, Gerente de Medicina de Precisão da Roche Brasil .

 

A medicina personalizada, ou medicina de precisão, visa fornecer o medicamento certo para o paciente certo no momento certo, com base no perfil genômico do câncer de cada indivíduo.² “O câncer de mama desenvolvido pelos pacientes nunca é igual, embora apresentem características em comum, pois cada paciente possui como suas particularidades e deve ser tratado de maneira individualizada. Os avanços da medicina personalizada têm impulsionado a singularidade do tratamento, auxiliando uma comunidade científica de sentido qual é a jornada para cada paciente, desde uma suspeita até o diagnóstico, desde o estadiamento da doença até o planejamento terapêutico, desde o acesso aos resultados a definição de tratamento cujo objetivo final é o tratamento otimizado para cada paciente ”, completa Vanessa Nascimento, Gerente de Estratégia em Câncer de Mama da Roche Brasil

 

A depender de todos estes parâmetros e fatores, a melhor opção para cada paciente com câncer de mama será sugerida por seu especialista. Uma estratégia terapêutica é a utilização do tratamento neoadjuvante, uma abordagem que tem por objetivo a redução do tamanho do tumor, antes de uma intervenção cirúrgica. Podem ser utilizados ciclos de quimioterapias associados ou não terapias-alvo, previamente à cirurgia ou à radioterapia, tornando possível um enfoque menos agressivo, como a quadrantectomia, caso particular de mastectomia, em que só se remove um quarto da mama. Hoje, esse esquema terapêutico tem sido comumente realizado pelos especialistas, pois permite uma rápida avaliação da resposta e mudanças na estratégia definida para o paciente, caso necessário.

 

A quimioterapia adjuvante, que é o tratamento administrado após a cirurgia, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer - INCA, deve ser aplicada após uma análise criteriosa do perfil do paciente, pois trata-se de uma decisão definitiva, que submeterá ao paciente a ciclos de quimioterapia que geram muitos efeitos associados. Contudo, um bom diagnóstico permitirá que os especialistas definam as melhores clínicas terapêuticas aos pacientes.

 

Embora o câncer de mama represente 28% de todos os diagnósticos de câncer no Brasil e seja o mais comum entre as mulheres, segundo o Hospital Israelita Albert Einstein, e de acordo com o INCA, estimam-se 66.280 casos novos de câncer de mama no Brasil em 2020. Há muitas opções de tratamento para este tumor, o que tem tornado esse câncer uma doença crônica, e não mais uma sentença de morte. Contudo, é fundamental a orientação às mulheres sobre a necessidade de realizarem seus exames preventivos e de rotina, como por exemplo a mamografia, ou de acordo com a recomendação de seu especialista.

 

Hoje, em meio a tantos avanços, estima-se que o diagnóstico deixe de ser uma sentença e passe a ser um direcionamento para o tratamento adequado, com enormes chances de cura se tratado na fase inicial. Na Roche, celebramos os avanços e trabalhamos para que a cada dia mais pacientes tenham acesso às melhores terapêuticas, reforçando sempre a importância dos exames preventivos e do diagnóstico precoce. 

 

 

  1. McPherson K, Steel CM, Dixon JM. ABC das doenças mamárias. Epidemiologia do câncer de mama, fatores de risco e genética. BMJ. 2000; 321: 624-628.
  2. Peck RW. A dose certa para cada paciente: um passo fundamental para medicina de precisão. Nat Rev Drug Discov. 2016; 15: 145-146