Dr Rodrigo Castanho de Campos Leite

Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro – UFTM. Residência Médica em Cirurgia Geral pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Cirurgião Oncológico formado pelo Hospital de Amor. Título de Especialista em Cirurgia Oncológica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica. Fellowship em cirurgia minimamente invasiva colorretal pelo Hospital de Amor. Atualmente é médico titular do departamento de Mastologia e Reconstrução do Hospital de Amor.

1.  Para você, qual é o futuro ideal da jornada do paciente com câncer?

 

    O êxito na jornada de um paciente para qualquer enfermidade é a cura. A jornada ideal se inicia com diagnóstico precoce e preciso. Considerando a complexidade do câncer, sua heterogeneidade prognóstica, assim como uma melhor compreensão da biologia tumoral, seus mecanismos de resistência, a individualização do tratamento tem seu destaque, permitindo reduzir impactos da terapia, melhorando a qualidade de vida e favorecendo o prognóstico. Nas últimas décadas, houve um avanço significativo em conhecimento, ferramentas diagnósticas e terapias, nas diferentes áreas da oncologia, refletindo diretamente nas curvas de sobrevida e qualidade de vida. No contexto de uma doença incurável, a busca pela qualidade de vida e a “cronificação da doença”, ou seja, longevidade com dignidade, é o trajeto ideal.

2.   Como a colaboração entre diferentes atores de saúde pode melhorar a vida do paciente? Ex: médicos, equipe multi, indústria, associações de pacientes, sociedade etc.

 

    A participação da sociedade e associações de paciente são formas de auxiliar na desmistificação do câncer e dar o apoio necessário aos pacientes, com difusão de informações, doações, ludoterapias e experiências reportadas, assim como facilitação de tratamentos multidisciplinares.

 

    A multidisciplinaridade é a base do sucesso no caminho do paciente oncológico. Conseguimos, através dela, ter a abrangência de medidas necessárias para alcançar os objetivos no tratamento, reabilitação e qualidade de vida de um paciente tão complexo, em que cada detalhe tem sua importância. A indústria tem uma grande responsabilidade, já que é através dela que as medidas serão executadas, produzindo tecnologia de ferramentas diagnósticas, para realização de procedimentos,  produzindo e disponibilizando medicações, desenvolvimento de próteses e incentivos à pesquisa.

 

3.  Você acredita que a medicina personalizada pode otimizar a jornada do paciente com câncer? 

 

    O tema medicina personalizada é motivo de debates. Evoluímos muito no conhecimento do câncer e isto nos proporcionou possibilidades de diagnósticos mais precisos e tratamentos mais específicos. Passamos a compreender mais sobre a biologia tumoral, seus mecanismos de resistência, fatores genéticos e epigenéticos e as interações com o meio ambiente. A medicina personalizada, além de beneficiar o paciente ou grupos de pacientes, considerando todas as suas variáveis, pode também, diminuir custos de um tratamento. Entretanto, é preciso ponderar até que ponto uma intervenção é benéfica, já que a identificação de pacientes pré-sintomáticos pode promover tratamentos desnecessários em algumas situações. Considerar os limites entre um e outro é a grande questão. Cada vez mais, a busca pelo conhecimento levará a medicina personalizada.

    

    Avanços tecnológicos e plataforma de reuniões multidisciplinares, como o NAVIFY Tumor Board, vieram diminuir ainda mais a distância física nas discussões, individualizar o tratamento e otimizar o tempo para preparação de um caso clínico. Em um momento, em que as reuniões virtuais estão cada vez mais frequentes, a padronização de discussão de casos, assim como a avaliação de exames na íntegra do paciente, possibilitando o acesso a informação de maneira fácil e rápida através de diretrizes como NCCN, diretrizes institucionais e estudos relacionados ao próprio caso discutido, com  a possibilidade de integração entre profissionais, não só de um único centro de tratamento ou localidade, enriquece e otimiza a condução do caso dos pacientes. A mudança de conduta através de uma reunião multidisciplinar não é incomum de acontecer e mostra a importância de sua realização.

4.  Na sua visão, qual o maior gargalo nesta jornada?

 

    Considerando que o maior beneficiário de todos os avanços, em suas diferentes áreas, no tratamento oncológico é o paciente, a dificuldade de acesso a todo esse arsenal de tratamento e os seus custos são o gargalo. Temos um planeta muito heterogêneo em termos de sociedade, desenvolvimento e economia, concentrando o benefício dos grandes avanços em tecnologia, diagnóstico e tratamento para uma porcentagem pequena da população mundial. No nosso próprio país observamos essa situação.