Marcelo Oliveira é Head de Medicina Personalizada na Roche Farma Brasil desde fevereiro de 2019. Graduado em Administração, possui MBA em Marketing e Gestão pela Universidade Católica de Salvador. Desenvolveu sólida carreira na carreira na Indústria Farmacêutica, na qual ingressou como representante de vendas na Roche. Após ocupar cargos de lideranças de unidades de negócios nas  áreas de Oncologia, Hematologia e Especialidades em diferentes empresas do setor, Marcelo regressou à Roche para liderar a estratégia de Medicina Personalizada da Companhia no Brasil.

1. Para você, qual é o futuro ideal da jornada do paciente com câncer?

 

    Toda vez que discutimos sobre a jornada ideal de um paciente, precisamos lembrar que essa trajetória começa muito antes do diagnóstico. Para termos um controle do câncer mais efetivo no Brasil, precisamos também garantir um programa de conscientização e a infraestrutura necessária para a realização de diagnósticos precoces. Dito isso, o avanço nos estudos sobre o câncer nos fez compreender que cada tumor é único. Por isso, entendemos que a jornada ideal do paciente do câncer deveria também levar em consideração essas individualidades, em uma abordagem personalizada. Na Roche, entendemos que uma jornada de assistência médica personalizada compreende três aspectos:

 

  • A busca por maior precisão do diagnóstico e do conhecimento mais avançado sobre como seguir diante daquele determinado perfil de paciente.
  • Foco na questão do Real Word Data, buscando formas de tornar essas informações acessíveis aos profissionais que atendem os pacientes na ponta, oferecendo ferramentas efetivas de suporte à decisão clínica.
  • Transformar o conhecimento gerado por meio da coleta e análise de dados em insights decisivos para guiar o desenvolvimento de novas soluções e terapias, a antecipação de cenários e as oportunidades de melhoria no acesso aos tratamentos.

 

    Hoje, já temos no Brasil as tecnologias necessárias para tornar essa jornada uma realidade, contudo ainda temos desafios importantes para tornar esses recursos disponíveis ao maior número de pacientes possível.


2. Como a colaboração entre diferentes atores de saúde pode melhorar a vida do paciente? Ex: médicos, equipe multi, indústria, associações de pacientes, sociedade, etc.

 

    Não há dúvidas que a saúde enfrenta desafios muito complexos. Seria equivocado pensar que apenas um ator do segmento poderá gerar soluções de verdadeiro valor aos pacientes, sem trabalhar em estreita colaboração e parceria com os demais agentes. Situação que se evidencia ainda mais na oncologia. É dever da indústria, associações de pacientes, instituições privadas e governo colaborarem para não só desenvolverem a inovação no país, como garantir que essas soluções estejam disponíveis ao maior número de pacientes de forma sustentável ao sistema. Cada agente, com sua expertise, pode ajudar para que a jornada do paciente seja cada vez mais assertiva e que os pacientes tenham uma qualidade de vida melhor.

 

3. Quais benefícios a medicina personalizada pode trazer para a gestão da saúde como um todo?

 

    A medicina personalizada traz melhoras individuais significativas para o tratamento, mas além disso, traz benefícios para o sistema de saúde como um todo, tornando-o mais eficiente e sustentável. 

    A integração das ferramentas de diagnóstico avançado com dados de saúde coletados em diversas fontes viabiliza a tomada de decisões clínicas mais precisas para cada paciente. Quando falamos sobre medicina personalizada, nos referimos ao que será o futuro dos cuidados com a saúde. Trata-se de capacidade de oferecer o tratamento certo, para o paciente certo, no momento certo, isso impacta diretamente no sistema de saúde como um todo. 

    Por proporcionar um tratamento mais assertivo para cada pacientes, a medicina personalizada acaba evitando gastos desnecessários, com medicamentos ineficazes e consultas médicas para mudança do tratamento.