A COVID-19 é uma doença infecciosa causada por um vírus da família betacoronaviridae, batizado de SARS-CoV-2, identificado no final de 2019 após uma série de casos de insuficiência respiratória grave não justificada. Esse é o sétimo coronavírus capaz de infectar humanos: quatro causam resfriado comum (229E, OC43, NL63 e HUK1) e dois causam uma doença respiratória grave (SARS-CoV e MERS-CoV). Este coronavírus descoberto ano passado recebeu o nome de SARS-CoV-2 por causar uma síndrome muito semelhante, mas de menor gravidade, ao vírus SARS-CoV, identificado em 2002, (do inglês Severe Acute Respiratory Síndrome – Síndrome Respiratória Aguda Grave), e resume de forma acurada o quadro clínico observado em uma pequena parte dos pacientes.

O SARS-CoV-2 é um vírus respiratório altamente infectante. No início da pandemia, cada infectado transmitia a doença para duas a três outras pessoas, que transmitiam para quatro a nove, e assim por diante. Por isso que é tão importante entender como a doença é transmitida, pois assim conseguimos bloquear essa cadeia. O coronavírus se propaga pelo ar através de duas formas, gotículas e aerossóis. As gotículas são formadas a partir da saliva e secreções respiratórias (nariz, garganta e brônquios), percorrem curtas distâncias (em torno de 1 metro e meio), ficam pouco tempo paradas no ar e caem nas superfícies de móveis, objetos ou chão. Como carregam uma grande quantidade de vírus, as gotículas são altamente infecciosas e transmitem a doença mesmo quando há rápido contato entre doente e pessoa exposta não protegida. As gotículas também são responsáveis pela transmissão através de objetos ou superfícies contaminados; ao tocá-los e levarmos nossa mão a qualquer porta de entrada do organismo, podemos adquirir a doença. Por isso recomendamos muita atenção em proteger as mucosas, especialmente boca, olhos e nariz, que são os principais locais onde o coronavírus consegue adentrar nosso corpo. A outra forma de transmissão é através de aerossóis, que são partículas muito pequenas, menores que 5 micrômetros (ou seja, menores 0,005 milímetros e invisíveis a olho nu), produzidas pelo sistema respiratório. Os aerossóis têm características diferentes das gotículas, pois podem ficar várias horas em suspensão no ar, mas carregam quantidade menor de vírus e têm baixíssimo potencial de contaminação de superfícies e objetos. A infecção ocorre quando o indivíduo exposto inala uma grande quantidade de aerossóis, quer seja pelo tempo prolongado em ambiente contaminado, quer seja por uma exposição intensa (como ocorre em procedimentos médicos e atividades orais intensas, como cantar). Para se proteger dos aerossóis é importante o uso de máscara por todas as pessoas e manter o ambiente sempre muito bem ventilado, para que haja uma troca de ar constante. É importante ressaltar que o coronavírus não entra no corpo através da pele, por isso que se recomenda de forma tão insistente a higienização constante das mãos e não tocar nos olhos, boca e nariz. Duas dicas importantes: (1) caso comece a sentir coceira no rosto, espere que ela passa; (2) use proteção ocular através de óculos especiais ou escudos faciais (face shields), é tão importante quanto o distanciamento social.

O nome correto é COVID-19. Coronavírus é o agente causador da doença, mais especificamente o tipo SARS-CoV-2. COVID-19 quer dizer Coronavirus Disease 19, que significa doença causada pelo coronavírus descoberto em 2019.

O diagnóstico pode ser feito de 3 maneiras:

1ª) Teste positivo na reação em cadeia da polimerase em tempo real (RT-PCR, do inglês real time polymerase chain reaction) para SARS-CoV-2, normalmente coletado da parte posterior da garganta (pelo nariz ou pela boca), independentemente de sintomas. No primeiro resultado positivo, o paciente é considerado como portador de doença ativa e capaz de transmitir a doença.

2ª) Diagnóstico retrospectivo através da sorologia, que afere a presença de anticorpos no sangue contra o SARS-CoV-2. Em geral reservamos esse teste para saber se o paciente teve a doença previamente, quer seja na sua forma sintomática ou não.

3ª) Diagnóstico clínico-tomográfico: sabemos que alguns pacientes podem ter a doença ativa e, mesmo assim, testar negativo no RT-PCR. Caso esses pacientes apresentem um quadro clínico e de exames complementares que sugiram a doença, após serem afastadas outras possibilidades, aceita-se o diagnóstico clínico de COVID-19.

Os sintomas são muito variados e podem sugerir desde um resfriado, com nariz entupido, secreção nasal e dor de garganta, passando por quadros que lembram gripe, com tosse seca, febre, dor de cabeça e falta de ar, até sintomas atípicos, como perda de olfato e paladar, dor abdominal, diarreia, náuseas e vômitos e até convulsões.

Para se proteger da COVID-19, precisamos entender a sua forma de transmissão, que se dá através de gotículas e aerossóis. As gotículas são formadas a partir da saliva e secreções respiratórias (nariz, garganta e brônquios), percorrem curtas distâncias (em torno de 1 metro e meio), ficam pouco tempo paradas no ar e caem nas superfícies de móveis, objetos ou chão. Para se proteger delas, recomenda-se manter distanciamento de pelo menos 1 metro e meio a 2 metros de outras pessoas, higienizar as mãos com frequência (o vírus não entra pela pele, mas mãos contaminadas podem levar o vírus a partes sensíveis do corpo, por onde o vírus pode entrar), evitar tocar no rosto (especialmente boca, olhos e nariz, que são os principais locais onde o coronavírus consegue adentrar nosso corpo), uso de máscaras adequadas e proteção ocular através de óculos especiais ou escudos faciais (face shields). A outra forma de transmissão é através de aerossóis, que são partículas muito pequenas, menores que 5 micrômetros (ou seja, menores 0,005 milímetros e invisíveis a olho nu), produzidas pelo sistema respiratório. Os aerossóis têm características diferentes das gotículas, pois podem ficar várias horas em suspensão no ar, mas carregam quantidade menor de vírus e têm baixíssimo potencial de contaminação de superfícies e objetos. Para se proteger dos aerossóis é importante o uso de máscara por todas as pessoas e manter o ambiente sempre muito bem ventilado, para que haja uma troca de ar constante.

Os grupos com maior risco de contraírem a doença são compostos pelas pessoas que não puderam se isolar adequadamente durante a quarentena, que não seguiram as recomendações de proteção, institucionalizados ou moradores de casas de repouso, familiares de pacientes doentes, ou aqueles que, por força de trabalho, tiveram que entrar em contato direto com os doentes, como os profissionais de saúde. Na Itália, 20% dos profissionais da linha de frente foram infectados e apresentaram os sintomas da doença. Outro grupo importante são aqueles de maior risco para quadros graves de COVID-19, a saber: idosos, sexo masculino, doenças cardiovasculares (como hipertensão, insuficiência cardíaca e doença vascular cerebral, responsável por causar derrames), diabetes, obesidade, doenças pulmonares crônicas (especialmente asma, enfisema e bronquite crônica), câncer e pessoas com imunidade reduzida (como transplantados e portadores de doenças auto-imunes).

Sim, é necessário. Há diversos tipos de máscara, as 3 principais são:

- Máscara caseira: tem o menor poder de proteção, mas é muito importante no controle de transmissão da doença pelos infectados, quer estejam sintomáticos ou não. A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 3 camadas, sendo a interna de algodão, a externa de um material impermeável (como polipropileno ou poliéster) e uma camada média com um dos materiais usados na camada interna ou externa. É a máscara recomendada para uso por todas as pessoas.

- Máscara hospitalar ou cirúrgica: tem bom poder de proteção e contenção, protege contra gotículas e deve ser usada pelos profissionais de saúde no ambiente de trabalho.

- Máscara N95 ou PFF2: capaz de bloquear 94% (PFF2) a 95% (N95) das partículas do ar. É a máscara de fácil acesso que tem o maior potencial de proteção. É obrigatório o uso quando houver grande risco de contato com aerossol.

Existem diversas famílias de coronavírus, algumas delas capazes de causar doenças em animais de estimação, mas sem qualquer evidência que essas doenças sejam transmitidas aos humanos. Quando se fala de COVID-19, há sinais que gatos e cachorros possam, muito raramente, ser infectados pelo SARS-CoV-2, embora não pareçam ficar doentes nem serem fontes importantes de transmissão. Desta forma, recomenda-se apenas que as medidas de higiene habituais devem ser mantidas no contato com animais domésticos.

As doenças pulmonares são consideradas fatores de risco para quadros mais graves pela doença, com maior risco de internação hospitalar, admissão em UTI e óbito. Recomenda-se a essas pessoas que não saiam de casa, apenas se for estritamente necessário. Sugere-se que as compras de alimentos e medicações devem ser feitas por algum familiar saudável, e que qualquer objeto que entre em casa seja limpo com alguma solução desinfetante. Também é importante evitar contato com outras pessoas, mesmo que também estejam isoladas, dar preferência a máscaras hospitalares ou N95/PFF2 e usar algum tipo de proteção ocular.

Não há, até o momento, evidência científica que portadores de doenças respiratórias tenham mais risco de contrair COVID-19 do que outras pessoas. Na verdade, portadores de doenças respiratórias têm maior chance de apresentarem sintomas respiratórios quando contraem a doença, assim como apresentar quadros mais graves.

Por enquanto não há estudos que mostrem pior prognóstico de acordo com o tipo de doença. Por outro lado, sabemos que há um aumento da gravidade da doença com o aumento da idade. Desta forma, há um racional para que pacientes portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica e fibrose pulmonar, doenças mais prevalentes em idosos, tenham quadros mais graves.

  • Sim, o isolamento social é a melhor medida para evitar a COVID-19. O isolamento ideal deve ser feito de forma rigorosa, inclusive tudo que entrar em casa deve ser imediatamente limpo com solução desinfetante ou álcool a 70%. Saídas devem ser realizadas apenas para consultas médicas, realização de exames ou de risco para o paciente. Deve-se usar proteção ocular e máscara, levar álcool-gel em recipiente portátil para higienização frequente das mãos e evitar aglomerações.

A chance de transmissão em ambientes abertos é muito pequena, mas já foi demonstrada. Portanto, recomenda-se que os exercícios sejam realizados por pessoas de baixo risco e usando máscaras. Também recomenda-se evitar uso de aparelhos de ginástica ou musculação públicos, pois pode haver transmissão através de superfícies contaminadas.

Sim, estudos que avaliaram perfis de pacientes com COVID-19 mostraram que a chance de óbito em pacientes portadores de doenças pulmonares crônicas é até 6 vezes maior do que indivíduos saudáveis.

Sim, devem continuar. Ao parar as medicações de uso crônico ou perder consultas, os pacientes têm risco de entrar em exacerbação da sua doença, que pode ser tão ruim ou até pior do que a COVID-19 em si. Portanto, mantenha suas medicações em uso e contate seu médico. Ele saberá dizer se há risco ou não em adiar a consulta por um tempo.

Durante a pandemia houve uma queda abrupta nas consultas médicas de pronto-socorro, tanto pela redução na circulação de vírus, quanto pelo medo dos pacientes em ir ao hospital e pegar a COVID-19. Entretanto, esse medo não deve ser maior que a doença em si, pois já se sabem de vários casos onde o paciente teve complicações graves (incluindo óbito) apenas pelo medo de procurar atendimento de urgência. Atualmente, a maioria dos hospitais está preparada para receber pacientes com diferentes patologias e protegê-los uns dos outros. Desta forma, recomenda-se que a ida ao pronto-socorro não deve ser adiada ou evitada pelo medo de contrair a COVID-19.

Estocar medicação em geral é um mau negócio. A indústria farmacêutica continua ativa e fabricando normalmente os remédios. No momento que há uma corrida para pegar medicações e fazer estocagem, observam-se dois problemas: risco de medicações perderem a validade e faltar medicações para outros pacientes. Portanto, não estoquem medicações.

A vacina da gripe tem uma capacidade de proteção em torno de 60%, mas é ativa apenas contra alguns vírus Influenza. Infelizmente ela não protege contra o coronavírus e, consequentemente, contra a COVID-19.

A vacina da gripe disponível no SUS é a trivalente, que protege contra 3 tipos de Influenza (A H1N1, A H3N2 e B), enquanto que a vacina nas clínicas particulares é a tetravalente, que protege contra 4 tipos de Influenza (A H1N1, A H3N2 e dois subtipos de Influenza B)

O transporte público é um dos locais de maior risco para contrair a doença, pois causa aglomeração de muitas pessoas diferentes. Evite os horários de pico, tente ir nos horários mais vazios e negocie horários de trabalho diferentes com seu superior. Os métodos de barreira também são essenciais, portanto use máscaras e protetores oculares (óculos de proteção ou escudos faciais). Lembre-se que as barras de apoio são locais contaminados, então higienize as mãos todas as vezes que tocar em algo que possa estar sujo, assim como evite tocar na face. Se possível, tome um banho todas as vezes após usar transporte público.

  • Ambientes de trabalho fechados são os maiores desafios. Sugere-se que as empresas reorganizem seus horários de trabalho e priorizem reuniões por videoconferência. Aferição de temperatura e avaliação de sintomas deve ser realizada em todos os funcionários. Aqueles sintomáticos ou febris devem ser encaminhados à avaliação médica. Ao chegar à sua mesa, faça a limpeza com álcool a 70% ou com um desinfetante à base de cloro, mantenha distância de pelo menos 1 metro e meio a 2 metros de outros colegas, solicite uso de barreiras físicas transparentes entre as mesas, use máscara durante todo o período de trabalho e não compartilhe objetos, como canetas, grampeadores ou computadores. Caso aconteça de emprestar algo para um colega, higienize com álcool ou solução desinfetante logo em seguida. Infelizmente aquela pausa para o café, onde normalmente as pessoas se reúnem para conversar e relaxar, devem ser desencorajadas. Evite usar os refeitórios nos horários de pico, mantenha-se sempre afastado de outras pessoas. Caso seja possível, abra as janelas e deixe o ambiente o mais ventilado possível. Funcionários com COVID-19 só devem retornar ao trabalho após avaliação médica. Funcionários que têm contato domiciliar com acometidos pela COVID-19 mas que não apresentaram sintomas devem ficar 10 dias afastados. Considere que qualquer pessoa, mesmo que sem sintomas, pode estar transmitindo a doença.

Aferição de temperatura e avaliação de sintomas deve ser realizada em todos os alunos. Aqueles sintomáticos ou febris devem ser encaminhados à avaliação médica. As mesas e carteiras dos alunos devem estar desinfectadas, distância de pelo menos 1 metro e meio a 2 metros de outros colegas deve ser respeitada, barreiras físicas transparentes entre as mesas devem ser implementadas. Cada criança deve manter o uso de máscara durante todo o período de aulas e não deve ser permitido compartilhamento de objetos, como canetas, lápis, apontadores ou cadernos. Caso aconteça de emprestar algo para um colega, higienização com álcool ou solução desinfetante deve ser feita logo em seguida. O recreio não deve acontecer ao mesmo tempo entre todas as turmas, deve ser intercalado entre os grupos e monitorado para evitar aglomerações. Aulas presenciais intercaladas com aulas virtuais devem virar rotina nos próximos meses. Os horários dos refeitórios devem ser alternados e com menos crianças por mesa. Caso seja possível, janelas devem ser abertas para manter o ambiente o mais ventilado possível. Crianças com história de COVID-19 na família devem ficar em quarentena domiciliar por pelo menos 10 dias se não desenvolverem sintomas. Crianças que ficaram doentes só devem retornar ao trabalho após avaliação médica

Portadores de apneia do sono devem manter uso do seu aparelho normalmente. Caso o portador de apneia do sono pegue COVID-19, o uso do CPAP pode aumentar o risco de contaminar algum familiar, portanto o CPAP só deve ser usado caso o doente esteja em um quarto separado e durma de janelas abertas, coloque um ventilador com fluxo de ar direcionado para a janela e feche a porta.

Nebulizadores podem ser usados normalmente por pessoas sem a COVID-19. Caso o usuário do nebulizador pegue COVID-19, o uso desta terapia pode aumentar o risco de contaminar algum familiar, portanto o uso de nebulizador deve ser evitado e priorizado o uso de medicações inalatórias administradas por inaladores dosimetrados (bombinha) ou através de dispositivos com pó inalável.

Os pacientes asmáticos fazem parte do grupo de risco para quadros graves de COVID-19, portanto devem se proteger de forma redobrada (vide acima o tópico Quais são as principais recomendações para pessoas com problemas pulmonares em relação a Covid-19?). O uso de inaladores dosimetrados (bombinha) ou através de pó inalável deve ser mantido, sob o risco de exacerbação da doença, e não está associado a risco adicional pela COVID-19.

Os pacientes com DPOC fazem parte do grupo de risco para quadros graves de COVID-19, portanto devem se proteger de forma redobrada (vide acima o tópico Quais são as principais recomendações para pessoas com problemas pulmonares em relação a Covid-19?). O uso de inaladores dosimetrados (bombinha) ou através de pó inalável deve ser mantido, sob o risco de exacerbação da doença, e não está associado a risco adicional pela COVID-19.

Os pacientes com Fibrose Cística fazem parte do grupo de risco para quadros graves de COVID-19, portanto devem se proteger de forma redobrada (vide acima o tópico Quais são as principais recomendações para pessoas com problemas pulmonares em relação a Covid-19?). O uso de inaladores dosimetrados (bombinha) ou através de pó inalável deve ser mantido, sob o risco de exacerbação da doença, e não está associado a risco adicional pela COVID-19. Nebulizadores podem ser usados normalmente por pessoas sem a COVID-19. Caso o usuário do nebulizador pegue COVID-19, o uso desta terapia pode aumentar o risco de contaminar algum familiar, portanto o uso de nebulizador deve ser evitado e priorizado o uso de medicações inalatórias administradas por inaladores dosimetrados (bombinha) ou através de dispositivos com pó inalável.

Os pacientes com Fibrose Pulmonar Idiopática fazem parte do grupo de risco para quadros graves de COVID-19, portanto devem se proteger de forma redobrada (vide acima o tópico Quais são as principais recomendações para pessoas com problemas pulmonares em relação a Covid-19?). O uso de antifibróticos deve ser mantido sob o risco de progressão/exacerbação da doença e não está associado a risco adicional pela COVID-19.

Ainda não há estudos que conseguissem estimar o risco de contaminação em imunossuprimidos, mas as séries de casos mostram maior gravidade nesse grupo de pacientes, portanto devem se proteger de forma redobrada (vide acima o tópico Quais são as principais recomendações para pessoas com problemas pulmonares em relação a Covid-19?). As medicações devem ser mantidas, pois há o risco de rejeição do pulmão transplantado caso sejam suspensas inadvertidamente.

Sim, estudos mostram que pacientes com câncer, ativo ou não, tiveram maior risco de mortalidade. Um estudo com quase mil pacientes mostrou alguns fatores de risco adicionais, como câncer ativo e pior condição clínica basal, portanto esses pacientes devem se proteger de forma redobrada (vide acima o tópico Quais são as principais recomendações para pessoas com problemas pulmonares em relação a Covid-19?).

A cloroquina e seu análogo hidroxicloroquina são medicações usadas no tratamento da malária e de diversas condições reumatológicas há vários anos. Estudos de laboratório mostraram eficácia desta medicação na inibição da replicação viral, mas evidências laboratoriais não indicam que essas medicações sejam realmente eficazes no combate à COVID-19. A cloroquina, por exemplo, já foi estudada no tratamento de outras doenças virais, mostrou-se efetiva em laboratório, mas não teve sua eficácia confirmada em nenhum estudo clínico; portanto, nunca teve seu uso liberado para tratamento de doenças virais. Vários estudos já foram publicados avaliando a eficácia clínica da cloroquina/hidroxicloroquina, muitos com qualidade científica discutível, com resultados conflitantes. Os estudos mais bem realizados não mostraram qualquer eficácia na prevenção ou no tratamento até o momento, embora ainda estejamos aguardando alguns trabalhos serem publicados, sendo que um dos mais importantes é brasileiro, o Estudo Coalizão.

Até o momento, os tratamentos aprovados para a COVID-19 são suporte clínico do paciente e prescrição de dexametasona para aqueles que estão dependentes de oxigênio ou precisando de suporte respiratório intensivo.

Há diversos relatos de casos de pacientes que apresentaram quadro clínico, tomografia e exames compatíveis com uma “segunda COVID-19”, entretanto não sabemos se é uma reinfecção por um subtipo diferente de SARS-Cov-2 ou se seria uma reativação de uma infecção prévia. Portanto recomenda-se manter todos os cuidados de prevenção, mesmo para aqueles que já se curaram da COVID-19 e tenham sorologia positiva.

Ainda é cedo para afirmar, mas há vários sinais que os pacientes que tiveram a forma mais grave da doença, com insuficiência respiratória e tempo prolongado de UTI, podem evoluir com sequelas pulmonares. Estudos com função pulmonar mostram perda parcial da capacidade de oxigenação, tomografias de tórax mostram alterações compatíveis com sequelas irreversíveis e estudos de necrópsia mostraram fibrose pulmonar, um dano considerado permanente.

Infelizmente não há nenhuma vacina aprovada, embora algumas já estejam em fase avançada de pesquisa. Acreditamos que em 2021 deve haver alguma vacina disponível para uso em larga escala.

Fonte: https://www.fightipf.com/faqs.html